Cabeça de Teia Noir

Nova York, 1933. Quatro anos depois da quebra da Bolsa de Valores em NY. Os Estados Unidos vivem a Grande Depressão. O Duende é o chefe de uma quadrilha de criminosos que domina a cidade pela corrupção e violência. Peter Parker vive sua adolescência com os tios Ben e May, um casal de socialistas fervorosos que luta para mehorar a sociedade e impedir a exploração dos mais humildes. Amargurado com o brutal assassinato de seu tio, o jovem Peter encontra a chance de saciar sua sede de justiça ao ser picado por uma exótica aranha mistíca, que lhe confere poderes especiais. Agora ele pode pode honrar o que seu tio lhe ensinou: se aqueles que detêm o poder não são dignos de confiança, é dever do povo destituí-los”.

Olhe nos meus olhos e diga que não me ama mais.

“Olhe nos meus olhos e diga que não me ama mais.”

Tinha comprado essa hq já há algum tempo. No entanto, acabei deixando-a encostada na estante, até que me ocorreu de lê-la (sem nenhum motivo em especial), ontem. Então, como estava sem nada melhor pra fazer, resolvi escrever a primeira resenha de quadrinhos da Caixa Azul. Vamos à ela?

O Noir do título

O Noir é basicamente uma estética visual, não necessariamente uma forma de narrativa. Apesar disso, quase sempre as histórias focam-se no escopo de assassinato e investigação policial, geralmente acontecendo no período da primeira metade do século passado. Entendendo essa parte podemos passar pro Amigão da Vizinhança em si.

"Aí, Ben... Dá pra parar de se exibir com essa arma?"

“Aí, Osborn… Dá pra parar de se exibir com esta arma?”

Dois Bens para um Peter

Logo de início estranhei um fator, a história é narrada pelos olhos de Ben Urich (um jornalista do Clarim Diário), e não pelo protagonista Peter Parker. Bem, Urich (ãh?, ãh?) será uma peça importante no desenrolar do enredo, tornando-se uma espécie de tutor do Peter depois de impedir que os capangas do Duende (Verde) espanquem o pobre Peter e sua velha tia May. Acaba sendo um substítuto pro tio Ben, que aqui também foi assassinado. Triste sina á deste homem. De ambos, pra falar a verdade. Benjamin deve ser um nome amaldiçoado…

O elenco do Aranha

Esse foi o ponto que mais me agradou neste encadernado. Os vilões principalmente estão muito bem empregados no contexto. Os personagens que aparecem são: Felícia Hardy, que é a dona da boate clandestina “Gata Negra“. Kraven, Abutre (macabro nessa versão) e Camaleão, que são ex-atrações de circo que viraram subordinados á mando do criminoso Duende (Norman Osborn). O famigerado editor do Clarim Diário, J. Jonah Jameson, que em seu cerne continua o mesmo. Além dos já mencionados anteriormente, Ben Urich e May Parker.

"Vem pros braços do papai Spidey, gatinha."

“Vem pros braços do papai Spidey, gatinha.”

O Homem-Aranha da macumba

Finalmente chegamos ao que realmente importa, o Homem-Aranha. Confesso que o herói é o meu favorito desde criança, e essa versão dele meio que me decepcionou. Vou Explicar.

O Peter Parker do universo desta hq é um revoltadinho inconsequente, ponto. E quando torna-se o Homem-Aranha, parece não ter noção nenhuma da máxima do personagem (se não souber o lema do Aranha, vá até o penhasco mais próximo e se jogue), pois vai atrás dos seus inimigos portando uma arma de fogo! O maldito possui exatamente as mesmas habilidades do tradicional e mesmo assim precisa da droga de um revólver pra combater o crime? Por falar em poderes, ele os adquire da mesma forma que originalmente acontece, por uma picada de aranha (enfeitiçada, não radioativa). Numa alucinação maluca ele vê uma aranha monstruosa dizer que ele é uma pessoa boa, então ao invés de morrer pela picada, o jovem receberá um tormento superior… Então tá, né?

Parece que está prestes a sair uma invocação do rosto do Peter...

Sensor Aranha? Parece mais que uma invocação está prestes a sair do rosto do Peter…

E quais são esses poderes? Soltar teias pelos pulsos (é, nada de cartuchos!), o bom e velho sensor aranha, agilidade fora do comum e… Acho que é isso. Em momento algum ele demonstra ter força física acima do normal. Talvez no A Face Oculta (o segundo volume da saga) seja explorado este lado da super-força aracnídea.

Pra terminar essa parte, o que mais senti falta no Cabeça de Teia foi o senso de humor… Pelo o que me recordo, ele soltou apenas uma piada durante o volume inteiro. Sendo que foi pra Felícia antes mesmo de ser picado e não no meio de uma batalha pra “espairecer”, como é de costume do Parker.

A arte e o roteiro

Os reponsáveis por este trabalho são David Hine (Guerra Civil: X-Men) escrevendo e Carmine Di Fiandomenico (Magneto: Testamento) nos desenhos. As capas são de autoria de Fabrice Sapolsky.

Falando primeiramente da arte. Eu gostei do traço, o visual do Aranha e de todos os outros está bacana, porém não simpatizei muito com a colorização. O tom não se encaixou tão bem no clima Noir da hq. Outra coisa que me desagradou foi o efeito de luz utilizado. Muitas das vezes me deixou a impressão de que a página estava riscada por algum problema no próprio impresso. Trabalho no ramo gráfico, sei do que estou falando.

Agora, falemos sobre o roteiro. A história é redondinha, e mesmo que não surpreenda, também não te faz perder o interesse totalmente. É uma boa leitura descompromissada, apesar da reviravolta da hq soar manjada pra quem conhece o panteão do Homem-Aranha e o protagonista ser um Peter diferente do piadista que eu esperava que fosse.

Spider-Man_noir

Sai da chuva, voce vai pegar um resfriado, Aranha!

Considerações finais

No conjunto da obra Homem-Aranha Noir leva uma nota 8 de 10. O investimento vale a pena, ainda mais pelo acabamento que recebeu da Panini do Brasil. Capa-dura, verniz e papel de excelente qualidade no miolo. O preço também é bem acessível, R$ 17,90 no site da editora. Se bem que em todos os lugares em que procurei o encadernado está esgotado atualmente. Pros que não conseguirem achar pra comprar, sempre há as “importadoras” da vida.

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